Como escolher a escola para o seu filho em 10 passos

Independente se seu filho tem 4 meses ou 4 anos, é sempre uma angústia introduzi-lo na escola. Será que eu vou saber escolher a melhor escolinha? Será que ele vai se adaptar bem? Será que eu vou ficar tranquila e conseguir confiar na escola?

Se você está passando pela escolha da escola ou berçário para o 2º, 3º, ou 4º filho, provavelmente já encara esse processo de forma bem mais fácil. Afinal, você já sabe o que funciona, o que observar, o que evitar…. Pode até ser que já esteja decidida de onde deixar seu bebê, se os outros filhos tiveram uma experiência boa na mesma escola.

Por outro lado, se é o seu primeiro filho, é muito comum surgirem dúvidas, não saber exatamente o que avaliar na visita, e sentir uma insegurança. Por isso, nós conversamos e pedimos uma ajuda para a Flávia Witzel nesse assunto. Flávia é mãe, pedagoga, psicopedagoga e professora de educação infantil; e com a sua experiência conseguimos reunir um  ‘checklist’, no intuito de ajudar as mamães que não sabem nem por onde começar na escolha da escolinha.

1 – Faça muitas visitas.

Mesmo que você já tenha uma indicação muito confiável de alguma amiga, ou parente, e já tenha uma pré-definição de que escola escolher, recomendo que visite outras escolas, para ter um efeito comparativo, entender a diferença da dinâmica de uma escola para a outra, e já ir se adaptando a esse novo universo. Nem sempre existem metodologias ‘certas’ e ‘erradas’, mas você pode se identificar mais com uma forma de trabalho que outra. Por isso, visite pelo menos 3 escolas, de preferência leve alguém junto com você na visita, que ajude a observar o espaço. Isso pode ser útil pois é bem provável que você passe a visita toda conversando com algum funcionário da escola, e uma segunda pessoa pode ter a atenção mais livre para focar no visual.

Tenha em mente também que, hoje você pode ter uma escola já definida para o seu filho, que você gosta e confia. Mas as coisas mudam, eles podem trocar a equipe, ou passar por alguma mudança que você não aprova e você precisar procurar outra antes que imaginava.

2 – De preferência, visite a escola favorita mais de uma vez.

São tantas informações a absorver, que é praticamente impossível você sair da visita e lembrar de tudo depois. O ideal é voltar nas escolas que mais gostou, relembrar do espaço, da dinâmica, reforçar os principais pontos/ questionamentos. Principalmente, se você visitou a escola num sábado, por exemplo, procure visitar também em um dia de semana, durante o horário de funcionamento. Ver as salas limpas e vazias sem as crianças é uma coisa. Ver como ela é no dia-a-dia, como funciona na verdade, pode ser diferente. Inclusive desconfie se a escola não permite visitas durante o horário de funcionamento.

3 – Preste atenção nas informações gerais

Como é a aparência geral da escola, quanto tempo tem de existência, sempre foi no mesmo lugar? Observe se os ambientes são bem cuidados, se você se sente bem naquele lugar, se te passa segurança e acolhimento. Procure conhecer ou ver pelo menos uma parte da equipe, e sinta o que ela te passa. A intuição é nossa amiga nessas horas.

Quantos funcionários e quantas crianças são em cada sala? Os funcionários são educados? Tem alguém falando alto ou gritando com alguém? Quando passar pelos funcionários, observe como é a conduta, como os cuidadores interagem com as crianças, como é a manuseio dos objetos, etc.

Faça muitas perguntas e desconfie se for tudo muito maravilhoso, se todos os ambientes tiverem arrumados, sem nada fora do lugar. A melhor conduta é sempre a transparência, do que é bom mas também de situações que realmente acontecem na escola.

4 – Entenda muito bem como funciona a comunicação na escola

Como é a comunicação da escola com os pais? Terá uma agenda ou aplicativo em que os cuidadores anotam as informações principais e os pais recebem? Principalmente no berçário, é importante que os pais tenham a informação de como a criança está comendo as refeições, se fez xixi e cocô, se alguma coisa diferente aconteceu… Esse é um dos pontos cruciais da decisão, a comunicação com os pais precisa funcionar MUITO BEM.

A comunicação é somente no final do dia? Tem algum canal de comunicação para situações que possam exigir alguma ação imediata? Ou mesmo para os pais passarem alguma orientação em relação a remédios ou pomadas que precisam ser administrados?

5– Observe o espaço

Durante a visita, peça para visitar TODOS os ambientes, não só onde a criança brinca, mas também onde será feita a higiene, onde ela irá dormir, comer… Visite a cozinha e os espaços para os funcionários, isso faz com que a gente possa ver como as pessoas quer estão lá trabalham e isso diz muito sobre o perfil da escola.

Observe se a escola é muito vertical, se tem muitas escadas; pois se tiver, exigirá mais funcionários para acompanhar as crianças, cada vez que elas mudam de ambiente. Observe o mobiliário, se há segurança para as crianças pequenas, se a escola dá preferência por móveis com formatos arredondados, se há degraus na sala, se há protetor nas quinas…. Na sala onde as crianças brincam quanto menor o número de móveis e artifícios melhor. Observe o piso, se é emborrachado, se não for, se é frio, de pedra, ou outro material. Se tem algo no piso que possa machucar a criança por onde ela caminhar.

Observe a higiene de todos os espaços, e se os espaços são arejados e se a iluminação é adequada. Pergunte onde a criança vai dormir, é um lugar fixo, com segurança? O ideal é que as crianças durmam em uma sala de descanso, em lugar diferente de onde elas brincam. Observe onde ela vai comer, o móvel ou cadeirão é bem fixo e firme para sustentação da criança? Existe risco de tombar? Os móveis estão em bom estado?

6– Sobre a troca de fraldas

Observe o trocador como é, se é firme, se é alto. Quem faz a troca de fraldas, é sempre a mesma pessoa? É uma criança por vez? Se não for, como é a logística? Se os trocadores são altos, há risco de queda ou tem proteção? Pergunte sobre como é administrado os itens de cada criança (fraldas, pomadas, lencinhos…). Normalmente os itens de uso diário são enviados pelos pais, pergunte se o envio é diário, mensal… e se acabar de repente, como a escola procede? É importante que cada criança use o seu, que a escola não use os itens de uma criança para outra, mas que também tenha um protocolo seguro para ‘se faltar’.

7– Cozinha e alimentação

É importante saber se as refeições são preparadas no local, ou se vêm de outro lugar. Como funciona o armazenamento, e qual a política para descarte? É importante que a comida das crianças seja sempre fresca. Visite a cozinha, observe se é limpa, se tem algum cheiro estranho, e se é organizada e tem espaço suficiente. Pergunte sobre o controle de qualidade, se há vistoria no ambiente, e sobre dedetização e desratização.

Procure entender também qual a dinâmica na hora das refeições, quem dá a comida, quantas crianças são alimentadas por vez e quantas cuidadoras. Se for uma cuidadora só para mais de uma criança, como ela faz se uma das crianças vomita ou engasga e precisa de atendimento urgente? Existe um protocolo de segurança que seja rápido de ser implementado? Tem uma equipe de apoio?

Sobre a comida: os pais terão acesso ao cardápio? Se sim, com qual antecedência? Como a escola lida no caso de uma criança com restrição alimentar? Qual o procedimento adotado se ela apresentar alergia? Os pais serão informados sobre a alimentação, se está comendo bem? Como é essa comunicação?

8 – Sobre a segurança

É importante saber se a equipe de cuidadores tem cursos de primeiros socorros, se estão sempre sendo treinados para lidar com situações adversas como engasgos, quedas, etc. A escola tem um enfermeira em tempo integral? Qual a política de remédios? Eles aplicam remédios por conta própria? Tem que apresentar a receita da pediatra? A escola tem que saber agir de forma responsável e ter o contato do pediatra do seu filho para os casos de emergência.

Como é a segurança do acesso? Como é o acesso dos pais e crianças? E de pessoas estranhas? Há um segurança ou porteiro? Há quanto tempo ele trabalha na escola?

Pergunte se a escola tem câmeras, se são em todos os ambientes, inclusive os da higiene, e quem tem acesso às imagens. Há escolas que disponibilizam acesso virtual para os pais poderem acompanhar as crianças de longe. Entendo que isso não é essencial, mas que a escola tenha câmeras sim.

Provavelmente a direção vai informar também sobre a estrutura de segurança, alvará de funcionamento com os bombeiros, manutenção dos extintores de incêndio e treinamento da equipe. Se não informarem, pergunte.

9 – Linha pedagógica da escola

Qual método a escola adota? Como é a rotina e quais as atividades que são oferecidas para as crianças? Onde acontecem as atividades? O tipo de atividade mostrará como a criança será estimulada e como deve ser o seu desenvolvimento.

Que tipo de material usam? Terá um caderno ou apostila para ir acompanhando o desenvolvimento da criança? Tem uma metodologia, que prepara a criança para a transição para as próximas etapas?

10 – Comportamento

Faça muitas perguntas sobre como a escola lida com o comportamento da criança. A começar pela adaptação: qual a política da escola? Os pais participam da adaptação? Existe um tempo pré-definido para a adaptação? A saída dos pais (ou quem for acompanhar a criança) será de forma gradual, respeitando o conforto da criança? Se ela não tiver bem, tiver chorando muito, a fralda tiver vazia…. os pais serão avisados? Crianças que mudam de ambiente e não se sentem confortáveis podem prender o intestino. É preciso cuidado, e que a comunicação funcione bem para entender possíveis mudanças de comportamento e prevenir infecção urinária por estar segurando xixi, etc.

Como a escola lida com mordidas ou tapas de outras crianças? Como lidam com febres e machucados?

Se a criança tem um pouco mais de dificuldade para dormir, pergunte como as cuidadoras lidam com isso. A rotina que a criança estava acostumada em casa pode ser diferente da escola, horário das refeições, número de sonecas, etc. Por isso é importante entender como a escola faz essa adaptação.

Se a criança usa chupeta, a escola tenta interferir de alguma forma? O uso da chupeta, considerando seus benefícios e malefícios, é uma decisão que foi e deverá continuar a ser feita pelos pais. A escola não deve tentar tirar a chupeta da criança sem o pedido ou consentimento dos pais.

Considerações finais

Ufa! Após tantos itens, tantos fatores que podem ser decisivos para a escolha da escolinha, você pode até estar achando essa tarefa difícil demais e estar pensando “não vou conseguir lembrar de tudo na hora”. Bom, a idéia é que você priorize os pontos que fazem mais sentido para você e seu bebê. A melhor escolinha para você pode não ser a melhor para uma outra mãe. Mas é um dos principais pontos é perceber como o SEU FILHO vai reagir com a escola. Claro que o início é sempre difícil. Mas você que conhece seu filho melhor que ninguém saberá dizer se trata-se de um estranhamento, ou se ele realmente não se sente bem naquele lugar.

Novamente, confie na sua intuição de mãe. Converse com o seu parceiro, tomem a decisão juntos, de forma que ninguém responsabilize o outro depois. E procurem “sentir” a escola, colher o máximo de informações possíveis, e entender se VOCÊ está confortável com o nível de comunicação que a escola terá com vocês.

Finalmente, converse com o seu filho, mesmo que ele ainda seja um bebê, e explique o que está acontecendo, para tentar deixa-lo tranquilo de que a escola é uma escolha que você fez para ele. Explique que é o melhor para ele, que ele vai se divertir, mas também que ele vai ficar lá durante o dia, mas que mais tarde você vai busca-lo.

O que as mães falam sobre a escolha da primeira escola

“Foi tudo ótimo sempre. Mas escolher a escola “ideal” para sua família foi muuuuuuito difícil”

Leticia P, mãe da Helena

 

 

“A escolha foi bem difícil, especialmente considerando que as escolinhas estão muito caras. Mas no final, aprendi que temos que respeitar nosso sentimento e a nossa intuição. Se você escolhe só por um motivo ou outro, mas o lugar não te passa aquela segurança, você nunca estará tranquila.”

Mariana, mãe da Luísa

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